Apresentação Inicial

Boa tarde a todos.

O verbete que hoje apresento intitula-se **Antipreconceito Idadista**..

A escolha deste tema surgiu quando, no âmbito do Curso de Verbetografia, tive de selecionar um assunto para investigação. O termo "antipreconceito idadista" ocorreu-me por duas razões principais.

A primeira resultou da minha participação, enquanto aluno da Universidade Sénior, numa coreografia de dança dedicada precisamente ao combate ao idadismo. Essa experiência despertou-me para a existência de preconceitos relacionados com a idade e para a importância de refletir sobre este tema.

A segunda razão revelou-se ainda mais significativa. Ao iniciar a pesquisa, apercebi-me de que eu próprio manifestava formas subtis de autopreconceito idadista. Nos últimos anos da minha longa carreira docente, vivia com alguma angústia a aproximação da reforma — ou aposentadoria, como é designada no Brasil — por recear que essa etapa representasse um declínio da minha capacidade de pensar, criar e agir.

Quando mais tarde refleti sobre esse período, percebi que, sem me dar conta, era eu próprio quem se discriminava em função da idade. Vestia quase sempre de escuro, caminhava com mais dificuldade do que caminho hoje e alimentava uma imagem limitada da velhice, como se o envelhecimento significasse inevitavelmente perda de capacidade e diminuição do valor pessoal.

Essa tomada de consciência transformou profundamente a minha forma de compreender o envelhecimento. Percebi que o verdadeiro combate ao idadismo começa pela identificação e superação dos preconceitos presentes em nós próprios.

Foi essa experiência de autopesquisa que motivou a elaboração deste verbete e que me levou a investigar o antipreconceito idadista não apenas como um fenómeno social, mas sobretudo como um desafio evolutivo, centrado na reeducação consciencial, na convivência intergeracional e na interassistência.