Porque observar antes de acreditar?

No estudo da Conscienciologia, uma das atitudes mais importantes é aprender a observar antes de aceitar qualquer ideia como verdade.

Esta postura está diretamente relacionada com o Princípio da Descrença, frequentemente sintetizado na frase: Não acredite em nada. Experimente. Tenha as suas próprias experiências.

Esta orientação não pretende incentivar a desconfiança permanente, nem a rejeição automática de tudo. Pelo contrário, propõe uma atitude lúcida, investigativa e responsável perante o conhecimento.

Antes de acreditar, negar ou repetir uma ideia, somos convidados a observar, experimentar, refletir e tirar conclusões pessoais.

Da Crença à Observação

Muitas vezes aceitamos ideias porque alguém as disse, porque pertencem à nossa cultura, porque nos parecem familiares ou porque nos trazem segurança.

Outras vezes rejeitamos ideias apenas porque são novas, diferentes ou desafiam a nossa forma habitual de pensar.

A proposta conscienciológica é diferente.

Em vez de acreditar automaticamente ou rejeitar sem análise, o participante é convidado a perguntar:

  • O que posso observar?
  • O que posso experimentar?
  • Que registos posso fazer?
  • Que conclusões posso tirar a partir da minha própria experiência?

Esta atitude transforma o estudo num processo ativo.

O Papel do Paradigma Consciencial

O Paradigma Consciencial oferece um conjunto de pilares que podem funcionar como lentes de observação da realidade.

Essas lentes não devem ser entendidas como dogmas, mas como hipóteses de investigação.

Ao observar uma situação através da lente do holossoma, por exemplo, o participante pode perguntar-se se aquilo que sente envolve apenas o corpo físico ou também aspetos emocionais, mentais e energéticos.

Ao utilizar a lente da cosmoética, pode refletir sobre a qualidade das suas escolhas e sobre as consequências dos seus atos para si e para os outros.

Ao recorrer à lente do universalismo, pode avaliar se está a considerar apenas os seus interesses pessoais ou se consegue ampliar a compreensão para incluir outras pessoas, grupos e contextos.

Assim, os pilares do Paradigma Consciencial ajudam a transformar a observação em autopesquisa.

Observar Não é Concluir Depressa

Uma dificuldade comum no processo de autopesquisa é querer chegar rapidamente a conclusões.

No entanto, observar não significa interpretar tudo de imediato.

Por vezes, o mais importante é apenas registar:

  • o que aconteceu;
  • como me senti;
  • que pensamentos surgiram;
  • que padrões se repetem;
  • que dúvidas ficaram.

Com o tempo, os registos permitem identificar tendências, repetições e aprendizagens.

A conclusão apressada pode limitar a investigação. A observação continuada amplia a compreensão.

A Experiência Pessoal como Laboratório

No Programa Vivencial, a vida quotidiana é entendida como laboratório de autopesquisa.

Uma conversa, uma decisão, uma reação emocional, um ambiente ou uma dificuldade podem tornar-se oportunidades de observação consciente.

Não é necessário esperar por experiências extraordinárias.

A autopesquisa começa nas situações simples do dia a dia.

Por exemplo:

  • Como reajo quando sou contrariado?
  • Que ambientes me deixam mais equilibrado?
  • Que pensamentos se repetem em certas situações?
  • Como posso agir de forma mais cosmoética?
  • Consigo compreender melhor quem pensa de modo diferente de mim?

Estas perguntas ajudam a transformar a experiência comum em aprendizagem evolutiva.

A Importância dos Registos

A observação ganha força quando é acompanhada por registos.

Escrever permite organizar melhor a experiência, diminuir a tendência para esquecer detalhes importantes e comparar situações ao longo do tempo.

O registo não precisa de ser longo. Pode ser simples e direto:

  • Situação observada;
  • Lente utilizada;
  • Reação pessoal;
  • Aprendizagem;
  • Dúvida ou hipótese de investigação.

Com o tempo, o Caderno Vivencial torna-se um recurso importante para acompanhar o próprio percurso.

Abertura sem Ingenuidade

Observar antes de acreditar exige equilíbrio.

Por um lado, é importante manter abertura para novas possibilidades.

Por outro, é necessário evitar ingenuidade, fantasia ou conclusões sem base na experiência.

A postura proposta pela Conscienciologia é simultaneamente aberta e crítica.

Aberta, porque admite que a realidade pode ser mais ampla do que aquilo que já conhecemos.

Crítica, porque não transforma qualquer ideia em verdade apenas porque parece interessante.

Essa combinação favorece uma aprendizagem mais madura.

Conclusão

Observar antes de acreditar é uma atitude essencial para quem inicia um percurso de autopesquisa.

O Paradigma Consciencial oferece lentes para ampliar a observação da realidade, mas cabe a cada participante experimentar, registar, refletir e construir as suas próprias conclusões.

Neste módulo, o mais importante não é aceitar conceitos de forma imediata.

O mais importante é começar a olhar para a própria vida com mais atenção, lucidez e responsabilidade.

A experiência pessoal, quando observada com método, pode tornar-se uma fonte profunda de aprendizagem.

Bibliografia Consultada

VIEIRA, Waldo. 700 Experimentos da Conscienciologia. Foz do Iguaçu: Editares.

VIEIRA, Waldo. Projeciologia: Panorama das Experiências da Consciência Fora do Corpo Humano. Foz do Iguaçu: Editares.

João Feliciano Lopes

Investigador e Professor de Conscienciologia

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